adobe flash

Adobe Flash: ainda vale a pena investir?

No início de novembro de 2011, a Adobe anunciou através do seu blog que o Flash player para dispositivos móveis (Android e BlackBerry PlayBook) não seria mais atualizado. A empresa decidiu se concentrar no HTML 5 em dispositivos móveis através de suas próprias ferramentas e plataformas, como por exemplo o Adobe AIR. Mas e a versão para desktop do Flash? Bom, ela continua sendo suportada (pelo menos por enquanto). Vamos voltar um pouco no tempo para entender como o Flash chegou a situação atual. Se você não estiver com paciência (ou tempo) para ler tudo, você pode seguir direto para a seção conclusão. Mas você vai perder uma boa dose de história hein! 🙂

O nascimento de uma nova plataforma

O Flash é uma plataforma para desenvolvimento de aplicações ricas para Internet (RIA – Rich Internet Applications) lançada em 1996 pela Macromedia (que foi comprada pela Adobe em 2005). O nome Flash vem de Future Splash. Alguns dos componentes mais importantes da plataforma: um ambiente de desenvolvimento (Adobe Flash), um plugin que, quando instalado em um navegador, permite a execução de aplicações criadas usando o Adobe Flash (o plugin é conhecido como Flash Player) e finalmente uma linguagem de script que permite aos desenvolvedores criar aplicações complexas (ActionScript). O Flash nasceu em uma época que a web era basicamente estática. Naquela época, era basicamente HTML e com muito esforço você poderia criar um site mais dinâmico usando linguagens como Perl/CGI ou até C. Quando digo dinâmico, estou querendo dizer páginas que enviavam formulários e recebiam uma resposta. A aplicação da moda na época era o guestbook (livro de convidados): todo site “moderno” tinha um. Basicamente você colocava o seu nome e escrevia um comentário. E uma outra página exibia nome e comentário de todos que passaram pelo site. Que tal? Nada parecido com os sites realmente dinâmicos que temos hoje!

O crescimento explosivo

Bom, o único concorrente real do Flash naquela época eram os applets Java (eu me sinto velho somente de escrever isso!). Ambos permitiam, através da instalação de um plugin, que um navegador fosse capaz de ter um comportamento o mais próximo possível de uma aplicação desktop normal. O Flash se popularizou e conquistou uma legião de seguidores. Jogos, aplicativos e sites inteiros foram (e ainda são) desenvolvidos totalmente em Flash. Com um alcance de mais de 90%, já que praticamente qualquer navegador tinha (e ainda tem) um plugin que suporta as aplicações Flash, o Flash se tornou muito popular entre designers, desenvolvedores e usuários. Além dos jogos e sites interativos, o Flash é muito utilizado para permitir a reprodução de vídeo na web.

A evolução da web e suas tecnologias

A web evoluiu. E as linguagens e plataformas ao redor dela também. O HTML evoluiu, trazendo suporte para novas tags. O AJAX ganhou popularidade, o CSS ganhou corpo e o JavaScript finalmente começou a ser reconhecido como uma linguagem de verdade. Sem a utilização de plugins, tarefas antes impossíveis começaram a se tornar possíveis através do uso do AJAX. Muitos começaram a questionar a real necessidade do Flash. Afinal, o Flash, assim como qualquer outra plataforma suportada através de plugins, trazia problemas de segurança pois abria uma nova porta de acesso ao navegador. Além disso, os arquivos gerados pelo Flash eram grandes (em relação aos websites em HTML puro), geralmente consumiam mais recursos (memória) do navegador e seu conteúdo não era facilmente acessado pelos mecanismos de busca (problema esse que já foi solucionado). Com essas desvantagens e o surgimento do AJAX, o Flash começou a ser fortemente questionado.

O surgimento de um concorrente de peso?

Em 2007 a Microsoft lançou a primeira versão do Silverlight, um concorrente direto do Flash. A premissa era a mesma: através da instalação de um plugin no navegador o usuário seria capaz de experimentar aplicações ricas. Algumas empresas importantes adotaram a tecnologia, como por exemplo a Netflix com o seu serviço de distribuição de filmes/séries. A tecnologia foi inclusive usada como plataforma de desenvolvimento de base para o sistema operacional para dispositivos móveis da empresa (o Windows Phone 7). O Silverlight começou a ganhar força na batalha contra o Flash. Foi então que algo aconteceu…

A grande ameaça: Apple e as plataformas móveis

Desde o lançamento do iPhone em 2007 a Apple vem mantendo a sua posição contra o suporte do Flash em sua plataforma móvel. Segundo a empresa, entre os motivos estão as falhas de segurança, consumo da bateria e o fato do Flash ser um padrão proprietário. A Apple inclusive tem uma página onde ela explica os motivos para a não adoção da plataforma da Adobe. Inicialmente, a falta de suporte era citada como uma desvantagem da plataforma móvel da Apple, mas conforme os anos foram passando, a Apple foi ganhando popularidade (e consequentemente esse argumento foi perdendo força). Em paralelo, o desenvolvimento do HTML 5 permitiu, principalmente na questão da reprodução de vídeos através de um navegador, seja ela para um dispositivo móvel ou desktop, diminuir ainda mais a dependência do Flash para a criação de aplicações ricas. O lançamento do iPad em 2010 somente reforçou ainda mais essa evolução. Hoje, as principais plataformas móveis (Android, iOS, Windows Phone, etc.) suportam o HTML 5. O próprio YouTube começou em 2010 a migração do seu conteúdo para o padrão HTML 5.
Apple contra adobe flash

Apple e os seus motivos para não adotar o Adobe Flash

O início da queda

A Adobe anunciou em novembro de 2011 o fim do suporte para o Flash player para dispositivos móveis (Android e BlackBerry PlayBook). A empresa vai se concentrar no HTML 5 e sua plataforma AIR. A web está se dirigindo para um futuro móvel e ainda mais heterogêneo, com muitos dispositivos diferentes, onde o HTML 5 caminha a passos largos para ser o padrão. Esses dispositivos muitas vezes possuem restrições de bateria, processamento e em geral seus navegadores não permitem a instalação de plugins. No Windows 8, o próprio Internet Explorer 10 (versão metro), não suporta a instalação de plugins.
Internet Explorer 10 - Windows 8 - Metro

O Internet Explorer 10 (versão metro) não suportará plugins: um golpe duro para o Flash.

Mozilla e Facebook pedem o fim da plataforma

No dia 13 de julho de 2015 foi a vez do Firefox bloquear a extensão (add-on) do Flash. O próprio responsável pelo suporte do Firefox, Mark Schmidt, tuitou a novidade. O bloqueio é extremo e acontece de forma automática. O Facebook não ficou atrás. Na verdade, não a empresa diretamente, mas o seu chefe de segurança (CSO), Alex Stamos, “pediu” o fim da plataforma através da sua conta Twitter. alex stamos twitter

Conclusão

O Flash foi importante no início da web onde as restrições de tecnologia eram grandes. Mas a web evoluiu e a computação móvel é cada vez mais dominante. O Flash perdeu espaço e a tendência é que ele se torne cada vez menos relevante no futuro. Se você tem um site em Flash, é um desenvolvedor ActionScript ou então um web designer que utiliza muito essa tecnologia da Adobe, seria importante começar a pensar em um futuro (talvez bem próximo) onde o Flash simplesmente não seja mais relevante. A não ser que tenhamos uma mudança radical, o HTML 5 é a plataforma do futuro. Aprenda essa plataforma e deixe o passado para trás. Agora se você nunca tinha ouvido falar do Flash antes de ler esse artigo, bom, você já vive na nova web! E você, o que acha do Flash? Continua usando-o em seus sites ou projetos pessoais?

12 Comments

  1. Isso mesmo Leonardo. Além disso a própria Microsoft não confirmou o lançamento de uma nova versão do Silverlight, que seria a versão 6. É muito provável que o Silverlight esteja com os dias contados também. Abraço!

  2. Bom, eu não sou um amante do Flash, principalmente porque não é a melhor opção se pensarmos na otimização da pagina para os mecanismos de busca, mas também acho que nenhuma tenologia deve ser desprezada e só saberemos de fato se ela cairá no ostracismo quando as animações em HTML5 estiverem amplamente difundidas.

    Coisas inesperadas acontecem na internet. Lembrando que quando surgiu o XML, a conversa geral era que o HTML em pouco tempo estaria morto e como podemos ver, não só não morreu como continua evoluindo, sobretudo nessa versão 5.

    • Olá Dermeval, obrigado pelo comentário! Eu entendo o seu ponto de vista, o problema é que a tecnologia Flash nunca foi “abraçada” pelo mercado. Atingiu a popularidade, é verdade, mas foi muito mais graças a falta de uma alternativa melhor. Desde a popularização do AJAX e da computação móvel, o Flash vem perdendo força. Embora o HTML 5 ainda não esteja totalmente difundido, essa me parece a evolução natural. A Microsoft adotou a tecnologia, dando sinais claros de que vai abandonar o Silverlight. A Apple e o Google estão também dando suporte forte para a sua implantação. E a própria Adobe decidiu se concentrar no HTML 5 através do seu framework Flex. Se a própria empresa por trás do Flash retirou o seu suporte para dispositivos móveis e grandes sites estão simplesmente partindo para outras alternativas (YouTube, por exemplo), não vejo como o futuro do Flash possa ser diferente do que descrevi no artigo. Acredito realmente que aqueles que insistirem com o Flash nesse momento estarão perdendo um tempo precioso. Mas é claro que essa é a minha opinião pessoal! 🙂 Abraço!

  3. Cara, muito massa ;p
    Nunca gostei muito de Flash e concordo plenamente com a sua opinião.
    Abraço o

  4. Ola amigo gostei muito de sua analise mais o flash sempre teve esse problema de carregamento em sites,
    eu aposto que eles vão investir no flash e na linguagem do As3 para investir em jogos para Desktop
    o que ainda vale muito a pena em se utilizar o flash pois ele roda em quase todos os sistemas operacionais
    ele é muito bom pra quem esta começando nessa área de jogos pois ele tem todos os mecanismos de ajuda
    acho que com o tempo ele sera voltado mais para animação e jogos e ate mesmo pode ser adicionado uma
    exportação das animações para mids o que facilitaria muito quem não sabe converter os arquivos swf ou flv

    • Olá Paulo, obrigado pelo comentário! Eu escrevi esse artigo ano passado e desde então o Flash vem perdendo cada vez mais espaço. O grande problema é que o mundo mudou e a computação atualmente não é mais restrita aos computadores desktop (ou notebooks/laptops). Hoje em dia existem diversos dispositivos móveis (tablets e smartphones) e uma grande quantidade de navegadores. Muitas dessas plataformas não suportam o Flash. Acredito que realmente a tendência é o uso cada vez maior do HTML 5. Para fazer jogos para navegadores existem tecnologias cada vez difundidas como Canvas e WebGL. Abraço! André

  5. O flash ainda vive para jogos em desktops, e criação de apps em AIR, mas o HTML5 esta evoluindo muito rapido, mas nao creio que a adobe vai abandonar o Flash, creio que ferramentas com um 3D real misturado ao AS vai ser bem desenvolvida pela adobe, e ediçoes de videos e som também farao parte da tecnologia. A mito tempo falaram que o silverlight e o jquery iriam matar o Flash, e isso não aconteceu

  6. Hum, estou cansado dessa história de que o Flash vai morrer.
    Alguém aqui já ouviu falar do CreateJS?
    Bom deixe-me explicar o que é, o adobe flash vem com este plugin, com ele você pode publicar suas animações flash em html5 e canvas.
    Ou seja, o adobe flash, ainda continua vivo, sem falar nas RIA’s, sério cheguei a testar alguns frameworks, que prometem a possibilidade de criar desktop aplications com html5 e uma linguagem servidor.
    Teste node-webkit, que infelizmente não permite a criação de uma janela transparente, o AppJS que após concluir sua aplicação, você tem de instalar na máquina do client um programa para acessar os “executáveis” dele.
    Não vi nenhuma ferramenta que chegue aos pés do adobe air.
    Mas aí a pergunta: “Para que desenvolver sistemas desktop, na área mobile?”
    Vocês já pararam para pensar que ainda é grande a necessidade de um sistema desktop: sistemas PDV, totens, caixas eletrônicos, etc.
    Todas essas interfaces, apesar de haver conexão com um servidor, podem ser consideradas aplicações desktop.
    Não me venha com essas dizendo que o flash morreu, ele está sendo reestruturado, para acompanhar as evoluções da internet.
    Isso acho bacana da Adobe, ela não desiste de suas tecnologias, procura melhorá-las, implantando tendências de mercado.

    • Olá Juliano,

      Tudo bom? Obrigado pelo comentário! Eu entendo seu ponto de vista, mas o que você acabou de descrever, na minha opinião, fortalece ainda mais a queda do Flash. Para que um plugin que exporta um projeto Flash para HTML 5/Canvas? Isso não seria necessário há alguns anos atrás quando a tecnologia reinava absoluta. O problema é que o boom dos dispositivos móveis foi um golpe duríssimo para a Adobe. A adoção do HTML 5 e tecnologias relacionadas cresce no mesmo ritmo que o Flash e tecnologias como Silverlight caem em desuso. E para piorar, as ações e decisões tomadas pela empresa nesses últimos anos somente confirmam o abandono da tecnologia Flash. Veja só: a Adobe abandonou o desenvolvimento da nova arquitetura do Flash Player (Flash NEXT) e da nova geração da sua linguagem de script (ActionScript Next). Além disso, só nesses últimos anos, a empresa abandonou o desenvolvimento do Flash player nas plataformas móveis e do Adobe Air no Linux. A equipe da ferramenta Unity, muito famosa para o desenvolvimento de games, abandonou o seu exporter para o Flash (procure pelo artigo ‘Sunsetting Flash’). E na época, o próprio VP da Adobe, Danny Winokur, anunciou o seguinte: “…This makes HTML5 the best solution for creating and deploying content in the browser across mobile platforms” (isso faz do HTML 5 a melhor solução para criar e implantar conteúdo no navegador nas plataformas móveis). Sem o mobile, o que resta para o Flash? O mercado de desktop está em queda. Os sistemas que você cita são nichos de mercado que o Flash precisá competir com outras tecnologias e linguagens.

      O Flash está em queda brusca e o desenvolvimento móvel, hoje, se resume a tecnologias nativas (para iOS ou Android) ou então tecnologias multi-plataforma como HTML 5 ou então ferramentas como PhoneGap ou Cordova. Para o desktop, no Windows 8, o Flash perdeu seu espaço e temos novamente HTML/JavaScript ou então C# e C++. Já para o Windows 7, a fatia de mercado diminui e o Flash terá que competir com várias outras tecnologias.

      Eu acho que a minha opinião presente no artigo continua válida e é, inclusive, compartilhada por muitas pessoas da área. Eu não vejo futuro para o Flash e acredito, realmente, que os especialistas dessa tecnologia devem migrar o quanto antes para outras plataformas.

      Abraço! André

  7. Boa noite,

    Em primeiro lugar não sei se você ainda monitora esse espaço de comentários, mas enfim, pela noticia de que o firefox também bloqueia o flash é recente, suponho que sim.

    Eu comecei a mexer no flash depois da metade de 2013, aprendi o basico com um amigo para realizar um sonho de conseguir criar jogos, bom, deu certo e no começo de 2014 criei meu primeiro jogo, atualmente tenho 3 jogos criados, gostaria da sua opinião se ainda vale a pena criar jogos com o flash professional. Meu estilo de jogo é point and click de puzzle, o famoso escape game. Estou pesquisando um pouco sobre o unity, e não comecei nada novo por causa dessa indefinição sobre o flash. você tem alguma sugestão de plataforma que eu poderia focar?

    Desde já agradeço
    Atenciosamente,
    Guilherme.

    • Opa Guilherme, tudo bom? Estou reativando o blog e acabei de ver o seu comentário (desculpe pela resposta tanto tempo depois!). Eu acho que não vale a pena investir (ou continuar investindo) no Flash como plataforma de desenvolvimento. A plataforma está em declínio e não há nada que indique o contrário. Dê uma olhada no Unity, GameMaker ou então o Construct 2. Todas essas plataformas possuem exportadores para HTML 5. Então você pode criar os seus jogos nessas plataformas e exportar para uma solução web (HTML 5). Além disso você poderá exportar os seus jogos para as plataformas móveis! Espero que ajude! Abs, André

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Post comment